Endorfina no parto: o hormônio da felicidade

Quando se fala em parto, principalmente aqui no Brasil, logo se pensa em dor e sofrimento. Tem gente que já pensa logo que não vai aguentar. Mas Deus nos fez perfeitas e pensou em tudo: não nos deixou padecer horrores sem nenhum remédio… pelo contrário! Fez nosso corpo produzir nosso próprio remédio. É dessa forma que a fisiologia do parto tem seu próprio mecanismo de proteção – são as endorfinas.

As endorfinas são hormônios produzidos pela hipófise. Seu nome vem de endo (interno) e morfina (analgésico). Ou seja, são hormônios que atuam da mesma forma que algumas drogas – os opióides – , tendo ação analgésica (reduzindo a dor). Também conferem sensação de bem-estar, euforia, alegria. Seria o que poderíamos chamar de “hormônio da felicidade”.

Produzimos endorfinas em várias situações: praticando atividades físicas, passeando ao ar livre e na natureza, comendo chocolate, no ato conjugal. Em todas essas situações, sentimos bem-estar. É a ação das endorfinas.

Pois as endorfinas também estão presentes no trabalho de parto! O corpo se utiliza delas para que a gente “aguente o tranco”. Elas diminuem a sensação dolorosa das contrações, são um alívio natural para as dores do parto. São um bálsamo.

Os níveis de endorfina estão, dessa forma, associados com a tolerância à dor. Baixos níveis são fatores potencializadores da dor do parto.

A boa notícia é que alguns métodos não farmacológicos são capazes de diminuir a dor no trabalho de parto. O sistema endorfínico tornou possível compreender os efeitos de umas dessas técnicas, pois elas incentivam a produção desse hormônio. Vamos ver algumas delas.

Banho quente

Tanto o banho de chuveiro quanto o banho de imersão, com água aquecida, atuam no alívio da dor da parturiente. A água promove relaxamento da musculatura, além de elevar as endorfinas! Quem usou esse recurso durante o trabalho de parto vai garantir que ele funciona.

Aqui faço uma ressalva no sentido de estimular as mulheres que entrem na hora certa no banho quente, que é quando as contrações realmente pegam força e ficam “dureza”, na fase de trabalho de parto ativo (quando as contrações já estão a um intervalo de aproximadamente 3 minutos, e são contrações longas).

Por que não abusar do recurso antes disso? Para não atrasar o trabalho de parto, pois a técnica promove relaxamento, e não queremos que o trabalho de parto pare de progredir se as contrações não estiverem bem ritmadas.

Massagem

As massagens ajudam muito no trabalho de parto! Principalmente as massagens lombares. Quem já contou com a ajuda de uma doula vai poder dizer quão milagrosas são essas mãos que trazem alívio em meio às contrações.

Pois o toque da massagem também estimula a produção de endorfinas, além de atuar no relaxamento do músculo, localmente. Conte com a ajuda de uma doula, e também peça auxílio para o marido 😉

Música

Algumas gestantes gostam de escolher já durante a gestação uma playlist para tocar durante o trabalho de parto. Isso é ótimo! A música traz familiaridade e tranquilidade para o ambiente, tudo o que uma parturiente precisa. Além disso, estudos indicam que a música também é capaz de incentivar a produção de endorfinas.

Estudos científicos demonstraram que composições do estilo barroco, em especial os movimentos lentos, apresentam um ritmo previsível entre 55 e 70 batidas por minuto, proporcionando um estado cerebral alerta mas relaxado, estimulando a liberação de endorfinas e reduzindo os hormônios do estresse.

Independente do método natural usado ou não para aliviar a dor do parto, o principal é termos em mente que nosso corpo é capaz de fornecer seu próprio analgésico natural para passar por esse processo. É a beleza e a perfeição da fisiologia do nascimento.

Por último, uma grande descarga de endorfinas é ativada quando o bebê nasce. Provavelmente você já ouviu muitas mães dizerem que, quando o bebê nasce, toda a dor se vai. Esse pico de endorfinas é responsável pelo gigantesco bem-estar que sentimos quando finalmente o bebê vem ao mundo. A endorfina, junto ao pico de ocitocina que também acontece nesse momento, irá gravar a sensação de bem-estar na mãe e no bebê quando eles estão juntos, favorecendo o vínculo e gerando dependência.

Dependência? Sim, lembra que as endorfinas são parecidas com opióides? Elas geram dependência. Quando liberadas naturalmente, nos levarão a ter vontade de repetir: de querer estar perto do bebê, de querer olhar nos seus olhos, de sentir o seu cheiro. Tem coisa mais viciante que cheiro de neném?

Talvez a própria experiência de dar à luz. Sim, mesmo tendo de passar pelas dores do parto, se ele é conduzido de forma respeitosa e fisiológica, a sensação de trazer à luz uma nova vida continua sendo uma das experiências mais extraordinárias pela qual uma mulher pode passar. É como tocar o céu.

A mulher que está dando à luz sofre dores e tem medo, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela já não mais se lembra da angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo seu filho.” Jo 16:21

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