Adrenalina no parto: um hormônio duas caras

Na sinfonia do parto, a adrenalina tem um papel importante… mas apenas no momento certo. Se ela resolve dar as caras antes do tempo, pode atrapalhar e muito o trabalho de parto.

Para entendermos como se dá tudo isso precisamos primeiro conhecer os fatores desencadeantes e os efeitos da adrenalina.

A adrenalina é o hormônio conhecido pelas respostas de “luta ou fuga”. Ou seja, ele atua em situações estressantes, mais especificamente situações ameaçadoras: os sentimentos de medo, frio, humilhação e sensação de perigo são fatores desencadeantes.

No dia-a-dia, sentimos os efeitos da adrenalina quando estamos para entrar em uma entrevista de emprego, quando corremos atrasados atrás do ônibus que não podemos perder de jeito nenhum, ou quando algum indivíduo suspeito se aproxima de nós ao caminharmos à noite no centro de uma grande cidade. Ela causa taquicardia, dilatação das pupilas, tensão muscular, sudorese.

Mas e no parto? O que pode desencadear a produção de adrenalina?

Qualquer fator que faça a mulher sentir-se amedrontada ou humilhada. Infelizmente ainda existe muita violência obstétrica sendo cometida pelas maternidades: muitos profissionais que tratam mal as gestantes, fazem piadinhas, represálias, repreensões. Se você souber de um caso de violência obstétrica, denuncie! É preciso que todos estejam conscientes do quão grave isso é.

Além  disso, um ambiente com luzes muito fortes, ar frio e muitas pessoas desconhecidas assistindo o parto, podem fazer com que a mulher se sinta insegura, sendo isso também um fator desencadeante de adrenalina.

Mas qual é o problema da adrenalina? O problema é que, quando ela surge antes da hora, em decorrência de algum fator negativo do ambiente, ela trava o trabalho de parto. Isso acontece porque a adrenalina é um hormônio antagônico da ocitocina (o hormônio responsável pelas contrações do parto). Ou seja, quanto maior a ação da adrenalina, menor a ação da ocitocina.

Logo, é importante para que o ambiente e as pessoas que assistirão a parturiente lhe transmitam segurança, para que ela possa vivenciar com tranquilidade seu parto.

Contudo… há um momento em que o próprio corpo cuida para que a adrenalina seja liberada e atue no parto. É quando o período expulsivo de aproxima.

Logo antes do expulsivo, há a liberação de adrenalina, dando uma recarga de energia para que a mãe e o bebê possam partir para o período que antecede o nascimento, que exigirá bastantes de ambos. Ou seja, a liberação de adrenalina no final do trabalho de parto é a forma que corpo da mãe encontrou de “dar um gás”.

Essa ação da adrenalina pode causar o que chamamos de “hora da covardia”. É uma espécie de medo fisiológico no final do trabalho de parto, enfrentada por muitas mulheres que, embora queiram muito passar pelo parto, acabam nesse momento sentindo-se incapazes de continuar. É nessa hora que a mãe pede por anestesia ou por cesárea.

Se você está se preparando para o parto, tenha em mente que essa hora é passageira, não sendo nada mais nada menos que um sinal de que falta pouco para o bebê nascer. Aos profissionais que assistem as gestantes, cabe reconhecer esse temor fisiológico causado pela adrenalina e dar todo o apoio para que a gestante consiga prosseguir com o seu parto da forma mais tranquila possível.

A atuação da adrenalina não para por aí. Ela chega também no bebê que, ao nascer, passará por um pico de atividade na primeira hora de vida. O bebê, em decorrência disso, nasce ativo, capaz de olhar e reconhecer a mãe, e também de mamar pela primeira vez. Essa é a importância da hora de ouro.

Diante de tudo isso, vemos que respeitar a fisiologia do parto é possibilitar que a parturiente viva esse momento em um ambiente tranquilo, livre de tensões que intensificam a dor. Permitir isso é fazer com que a adrenalina surja apenas no momento certo, cumprindo adequadamente sua função no nascimento de mais um bebezinho.

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