Prostaglandinas: preparando o colo para o parto

No último texto sobre os hormônios do parto falei sobre a ocitocina, o hormônio do amor, que também é responsável pelas contrações da fase ativa do trabalho de parto. Acontece que o colo do útero precisa estar “preparado” para receber essas contrações fortes causadas pela ocitocina, senão é tudo em vão. O responsável por esse preparo do colo são as prostaglandinas, que começam o seu trabalho no final da gestação.

As prostaglandinas são sinais químicos celulares similares a hormônios. Eles são responsáveis pelo amolecimento e dilatação iniciais do colo do útero, causando também as contrações do início do trabalho de parto: a fase latente.

As contrações das prostaglandinas não são tão fortes quanto as da ocitocina, o motor uterino. Mas são eficientes, vão dilatando aos pouquinhos de forma mais “suave”, preparando o terreno para a atuação da ocitocina.

Inclusive, é por isso que nos procedimentos de indução de parto normal, com ocitocina sintética, muitas vezes é colocado próximo ao colo do útero um comprimido, que nada mais é do que um comprimido de prostaglandina. É preciso preparar o colo também na indução.

Mas, tirando os casos muito específicos em que uma indução deve ser prescrita, o próprio corpo produz as prostaglandinas que precisa, na hora certa. Lembre-se da sinfonia, cada músico em seu momento.

O que fazer para otimizar a ação das prostaglandinas?

Há alguns estudos recentes que indicam que a alimentação pode estar ligada à atuação das prostaglandinas. Quem nos deu essa informação foi o dr. Frank Lowen no SIAPARTO 2017. Segundo ele, uma dieta com menor ingestão de carboidratos facilita a atuação das prostaglandinas.

Por quê? Tentando resumir a história, muito açúcar no sangue diminui os receptores de prostaglandinas nas células. Para atuar nas células, as prostaglandinas precisam se ligar nesses receptores – como um plug se liga em uma tomada. Ou seja, se temos um plug, mas não temos uma tomada, não conseguimos ligar o aparelho, certo? Da mesma forma, se uma ingestão elevada de açúcares diminui a quantidade de receptores nas células, mesmo que exista a produção de prostaglandinas, ela não conseguirá se ligar na célula e cumprir seu papel de forma eficiente, que é contrair o útero e dilatar o colo.

De quebra, o parto ainda acaba ficando mais doloroso, porque prostaglandinas “soltas” estão relacionadas a dor. Isso tudo acarreta em um parto mais lento e doloroso.

Qual é a indicação dada para gestantes? Que reduza um pouco a quantidade de açúcares durante a gravidez. Gente, não precisa cortar ok? É pra reduzir, tipo… não atacar uma caixa de bombons inteira, mas preferir comer frutas, essas coisas.

Já a partir das 36 semanas, quando o parto se aproxima, recomendamos levar mais a sério e deixar os doces de lado de vez. Se for consumir alguma massa, preferir integral. Tudo isso visando, claro, o bem maior de ter uma parto mais rápido, mais tranquilo. A boa notícia é que é por pouco tempo, agora faltam poucos semanas.

Eu sei que é difícil. Na gravidez a gente sente muitas vontades, olhamos pro docinho e pensamos “Vou comer porque eu mereço né!”. E tá certo, a gente merece mesmo. Tem a expectativa, a teoria e a realidade. Vou fazer um desabafo sincero e um mea culpa, porque não gosto de fingimento: na última gestação eu não cortei os doces não. Eu sabia, eu tentava, mas não conseguia. Fiquei obcecada por doces, foi uma coisa compulsiva, coisa de doido, coisa de grávida. Nasceu, passou. Mas durante a gravidez, eu fazia uma piadinha, falando que ia pagar a gula de cada docinho comido durante o trabalho de parto. Paguei mesmo viu rsrs não tive um parto lento porque nem era compatível com meu histórico, mas foi beeeem doloroso, bem mais que o anterior.

Então, vale a pena dar uma regulada. A informação está aí para nos ajudar. Além do benefício no parto, manter o consumo de carboidratos dentro de uma quantidade aceitável só trará ganhos para você e para o bebê, evitará ganho de peso excessivo, diminui as complicações de uma diabetes gestacional, e por aí vai. O auxílio à atividade das prostaglandinas facilitará as condições para que a sinfonia do parto ocorra bela e harmoniosa!

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