A hora de ouro, momento precioso para a mãe e para o bebê

Se tem uma coisa que me corta o coração, é ver um bebê ser separado de sua mãe, sem motivo, logo após o nascimento.

A mulher passa meses à espera de conhecer seu filho, suporta horas e horas de contrações, enfrenta o círculo de fogo, dá todas as suas forças para ter seu filho nos braços e quando finalmente chega o momento – puf! O pediatra leva a criança para longe.

Aquela mulher fica absolutamente sozinha, e à criança, ao invés da companhia e do cuidado amoroso da mãe, resta o acompanhamento de um profissional sem o menor vínculo afetivo com ela.

Para esse profissional, aquele bebê é apenas mais um a ser atendido em um dia de trabalho. Quando essa insanidade passou a ser protocolo nas maternidades? Desde quando os bebês só conseguem se manter quentes nos berços aquecidos artificiais?

Evidências científicas afirmam que a primeira hora de vida do bebê é a “hora de ouro”, pois é imediatamente após o nascimento que:

Acontece o imprintting

O bebê fita os olhos de sua mãe, guardando esse olhar de amor dentro de si para o resto da vida. O primeiro olhar do bebê para a sua mãe fica guardado na memória afetiva da criança, o que é esclarecido por um intrincado mecanismo físico-psicológico.

O obstetra Michel Odent explica um pouco esse fenômeno ao relatar que, após o nascimento, o bebê recebe uma descarga grande de endorfinas – hormônios que geram grande sensação de bem-estar, responsáveis também pela criação de dependência (algumas drogas que causam dependência são envolvidas nesse mecanismo – alguns autores explicam isso dizendo que as endorfinas são como “morfinas naturais”).

Por meio da liberação de endorfinas, ao mesmo tempo em que o bebê é aconchegado ao colo da mãe e fita seu olhar amoroso, é desencadeado um processo de “dependência” do amor, que faz parte do vínculo mãe-bebê e está na raiz da capacidade de amar da criança, devido à enorme sensação de bem-estar que o bebê sente diante desse olhar. Deus é tão perfeito que gravou o amor até nas menores moléculas que coordenam nossos corpos. No nascimento, elas trabalham para isso.

Dá-se início à amamentação

A primeira hora também é importantíssima para o sucesso da amamentação. Durante a primeira hora o bebê está muito ativo, sendo essa uma ocasião propícia para que ele receba seu primeiro leitinho – o bebê reconhece facilmente o seio da mãe, responde aos estímulos e ao odor. Após essa primeira hora, a atividade do bebê pode ficar mais “lenta”, sendo comum eles tirarem longas sonecas. A amamentação logo após o nascimento também é importante para a mãe: ela ajuda a produção de ocitocina na mãe, hormônio responsável pela ejeção do leite, mas que também está envolvido na contração e involução do útero, prevenindo hemorragias pós-parto.

Para bebês que nascem saudáveis, sem problemas respiratórios e afins, o ideal é que permaneçam junto à mãe na primeira hora após o parto. Essa recomendação é baseada em evidências científicas, além do bom senso: basta observar o comportamento de um recém-nascido para perceber que, quando ele é aproximado de sua mãe, ele sossega, encontra paz. Então, quando o retiram de perto dela, ele instantaneamente rompe a chorar.

Os bebês sabem o que é bom para eles. Eles reconhecem a própria mãe e querem estar junto a ela. Quantos às mulheres, que mãe não quer estar com seu bebê que acabou de nascer? Aconchegá-lo em seu colo, aquecê-lo, sentir seu cheirinho, contemplar seu rosto? Esse processo é importante para a criação do vínculo e para que a mulher se sinta plenamente capaz de exercer sua maternidade.

Portanto, mães e pais: se saibam: em diversas maternidades está estampado nas paredes que o bebê deve mamar na primeira hora de vida e passar os primeiros momentos junto à mãe (inclusive em casos de cesárea!), embora alguns profissionais não cumpram com esse procedimento.

Mãe e pai, saibam que o filho é seu, e vocês tem todo o direito e toda a responsabilidade em aceitar ou negar diversos procedimentos que ofertarem para o bebê. Logo, se o seu bebê nasceu bem, sem desconforto respiratório ou outras complicações, não permita que ele seja levado para longe da mãe logo na primeira hora de vida! Incluam esse desejo no plano de parto, conversem com a equipe.

A principal necessidade do bebê, logo após sua chegada, é o colo e o amor de sua mãe, da mesma forma que a mãe precisa do seu bebê e do amor expresso em seus olhos.

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