O Sentido em Ser Mãe – Maternidade à luz de Viktor Frankl

A busca do indivíduo por um sentido é a motivação primária em sua vida“. Este sentido pode ser encontrado na maternidade.

A citação é de Viktor Frankl, psicólogo que durante a II Guerra Mundial foi enviado aos campos de concentração nazistas.

Prisioneiro, Frankl percebeu que – ao contrário das teorias de Freud – muitos presos, ao invés de se tornarem “animais” diante da privação absoluta de condições básicas de existência, persistiam com esperança e na pureza de caráter. Frankl percebeu que o que diferenciava os indivíduos que persistiram na ânsia de viver daqueles que sucumbiam, era que os primeiros tinham gravado na mente um sentido para suas vidas. 


Frankl foi liberto dos campos de concentração e desenvolveu uma nova forma de terapia: a Logoterapia, que busca ajudar as pessoas a encontrar, ou reencontrar, seu próprio sentido para a vida, sem o qual o indivíduo cai no vazio existencial – fenômeno tão difundido no nosso século (já teve alguma vez a sensação de que tudo na vida é à toa, não vale a pena, não tem sentido? Então.)

De acordo com Frankl, é possível encontrar sentido na vida de três formas diferentes: 1. criando um trabalho ou praticando um ato; 2. encontrando alguém; 3. pela atitude que temos em relação ao sofrimento inevitável. 


A terapia que Viktor Frankl desenvolveu se refere à vida de forma geral, em todos os seus aspectos. Ela é muito ampla e muito bela. Contudo, é incrível a forma como a maternidade se conecta perfeitamente com ela. A maternidade dialoga com todas as três formas de encontrar sentido na vida propostas por Frankl. Examinemos.


1. Criando um trabalho ou praticando um ato.

É o sentido de fazer um trabalho em que somos únicos, pelo qual possamos contribuir com as outras pessoas. É também o caminho da realização. Através da maternidade dedicaremos esforço e trabalho aos filhos que nutrimos, cuidamos, educamos. Nosso trabalho dedicado aos filhos é o que fará eles crescerem saudáveis, conscientes, bondosos, virtuosos. Isso nos tornará únicos na vida deles. Plantamos com esforço a semente que, brotada, será nossa recompensa. “Teus filhos serão como ramos de oliveira ao redor da tua mesa” Salmo 128:3

2. Encontrando alguém.

Segundo Frankl, “experimentando outro ser humano em sua originalidade única – amando-o.” Ser mãe é experimentar o amor único que é o amor infinito de mãe. Ter o coração fora do próprio corpo. Somente quem é mãe experimenta esse amor tão bem ilustrado por Drummond de Andrade:

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Segundo Frankl, amor é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo de sua personalidade. Ninguém consegue ter consciência plena da essência última de outro ser humano sem amá-lo. A maternidade é maravilhosa escola de amor.

3. Pela atitude que temos frente ao sofrimento inevitável.

Segundo Frankl: “Ao aceitar esse desafio de sofrer com bravura, a vida recebe um sentido até seu derradeiro instante, mantendo esse sentido literalmente até o fim. Em outras palavras, o sentido da vida é um sentido incondicional, por incluir até o sentido potencial do sofrimento inevitável“.


É fundamental que este ponto esteja fortalecido na mulher que se tornará mãe. Afinal, ser mãe é “padecer no paraíso”.

E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos” Gênesis 3:16

Quantas mulheres, por diversos temores e por não terem fortalecida em seus corações a visão do sentido na dor, buscam se esquivar dos sofrimentos da maternidade, acarretando sem querer sofrimentos maiores posteriores que poderiam ser evitados?


Ter em mente o sentido do sofrimento inevitável fortalece as mulheres para que estas possam passar com bravura e firmeza por todos os sofrimentos que a missão de ser mãe coloca em seu caminho, e aos quais nos submetemos com alegria na forma de doação ao ser cujos cuidados nos são confiados.

É uma longa estrada de santificação: as dores do parto, as dificuldades na amamentação, rachaduras nos seios, noites mal dormidas, instabilidades do puerpério. Todas essas dificuldades se tornarão menos atemorizantes diante da visão do sentido em todas elas – sentido que se dirige ao bem estar do filho, que é o destinatário de todo este amor e doação. 

O sentido é o que dá beleza à tudo. As melhores coisas da vida nunca estarão nos caminhos fáceis, ao contrário: embora o caminho seja difícil, sua beleza é incomparável.

Lembrando que o fim último de todo o esforço despendido na criação dos filhos, não é simplesmente fornecer-lhes o bem estar físico, nem se resume a transmitir-lhes nosso amor. O fim último dessa missão é gerar almas para o céu, para que sigam no caminho do Senhor. Pois apenas nEle está a sabedoria e a felicidade – fim último do homem.

Os pais cristãos compreenderão que não são destinados só a propagar e conservar na terra o gênero humano, mas a dar filhos à Igreja, a procriar concidadãos dos santos e familiares de Deus, a fim de que o povo dedicado ao culto do nosso Deus e Salvador cresça cada vez mais, de dia para dia” – Papa Pio XI

O sentido pleno de ser mãe se encontra apenas quando conseguimos ter esse olhar espiritual.

Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” Mateus 16:25

Fontes: FRANKL, V. E. Em busca de sentido. Editora Vozes, 37ª edição, 2008.

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