O nascimento do terceiro, o reencontro de uma mãe – uma forma gratificante de perseverar

Quando me vi grávida do meu terceiro filho, tive um problema de descontinuidade de meu plano de saúde e restaram duas opções: ou tê-lo no SUS ou em casa.

Refletindo sobre o mais importante no cuidado ao parto, cheguei à conclusão de que era uma boa assistência. A meu ver, uma boa assistência é de longe muito mais importante que qualquer tecnologia, mesmo porque diversas intercorrências, como uma distócia, só se resolvem com a assistência adequada de um profissional bem capacitado.

Embora aqui em Curitiba existam boas maternidades públicas, ainda assim não havia como prever o profissional que iria me atender, caso optássemos por lá. Por outro lado, eu conhecia pessoalmente o trabalho de uma boa equipe de parto domiciliar, a equipe 9 luas (@equipe9luas ) que me transmitia muita confiança.

É claro que em casa teríamos um custo com o parto domiciliar. Porém, avaliando e vendo que para nós era possível, decidimos arcar com estes custos. Afinal, é tão comum as pessoas investirem em festas, aniversário, formatura, viagens ao exterior… quão mais importante é o nascimento de um filho!…

Decidi que teria um parto domiciliar planejado.

Algumas preocupações sondavam meu marido. De minha parte, coloquei tudo nas mãos de Deus e sabia que Ele prepararia o caminho. Com a experiência das gestações anteriores, me senti segura e tranquila para buscar um PDP.

Evitei comentar com as pessoas antecipadamente sobre o parto domiciliar, pois sabia que a falta de conhecimento sobre essa forma de assistência poderia levar as pessoas a muitos receios. Para evitar desgastes, contei apenas para minha mãe e meus sogros.

Minha mãe ficou preocupada de início, mas conforme a gestação avançava, teve a oportunidade de ver e acompanhar toda a atenção criteriosa das enfermeiras e os equipamentos deixados em nossa casa, o que a levou a me apoiar com o parto domiciliar.

Engraçado pensar que, até pouco tempo atrás, todas as pessoas nasciam assim. Minha mãe mesmo nasceu em casa, com parteira.

No final da gestação eu estava cheia de compromissos: provas, trabalhos, pinturas em gestantes… Quando terminei a última ocupação e ficou tudo certo, às 40 semanas, conversei com o Estêvão: pronto, filho, pode vir. Coloquei óleo de sálvia no difusor, fiz minha oração e fui dormir.

Não deu outra: às 1h da madrugada acordei sentindo contrações. Fiz um ninho para mim e segui a noite buscando dormir. Às 6h da manhã, as “dorzinhas” viraram dor de verdade, e chamamos a equipe. A enfermeira Raquel chegou às 7h, e a Priscila chegou 7h20.

Em resumo, a partir desse momento, foram contrações fortíssimas uma atrás da outra, igual a um mar tumultuoso, do qual a princípio eu buscava fugir. Tentei a cadeira de parto, que tinha dado muito certo no parto do Tomás. Dessa vez não foi bom: cada parto é um parto. Senti que precisava tomar o controle, e mudando a posição, me levanto e aceito a dor: assim, em nossa sala, de 40 semanas + 1, nasceu o Estêvão – no aumentativo mesmo, com seus 3,580 g, às 08h da manhã. 

Nasceu e veio direto para meu colo; eu não o largaria mais. O parto foi intenso e eu tive uma hemorragia logo após o nascimento, que foi rapidamente remediada com uma injeção de ocitocina pelas enfermeiras.

Devido às dores e à perda de sangue, fiquei instrospectiva após o nascimento, mas com o Estêvão comigo todo o tempo. Estava exausta. O parto foi doloroso e intenso, mas tenho a convicção de que foi do melhor jeito que poderia ter sido. Foi maravilhoso – eu passaria por tudo de novo. Afinal, um bom parto não é um parto sem dor, mas sim um parto ao qual nos entregamos para vivenciá-lo intensamente, com confiança e entrega.

Após 02 horas do parto eu já estava melhor. Levantei, andei, comi e conversei.

Foi assim que pudemos ter cheirinho de bebê em nossa casa novamente, num parto tão especial.

Algumas pessoas perguntam para nós como foi a experiência de ter bebê em casa, ao que eu respondo: quem tem bebê em casa uma vez, vai querer ter bebê em casa sempre!

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