O nascimento de mais um filho, o renascimento de uma mãe – uma forma gloriosa de recomeçar

Quando descobri que estava grávida do Tomás, meu segundo filho, busquei um obstetra humanizado.

Não bastava um que aceitasse “tentar” o parto normal; tinha que rejeitar cesárea, a menos fosse indispensável. Tinha que deixar eu parir na posição que eu me sentisse mais confortável. Tinha que abominar a episiotomia. Essa obstetra foi a Dra. Lara Nahar: “Pode parir de ponta cabeça se você quiser”, ela me disse.

Tive um acompanhamento respeitoso, me senti segura e passei uma gestação tranqüila. Trabalhei em mim a ansiedade, que foi um fator que atrapalhou o nascimento do Dante: eu achava que ele nasceria antes do previsto, e como isso não acontecia, ao chegar às 40 semanas eu estava tão ansiosa que foi fácil me submeter a uma cesárea, mesmo sabendo que é normal que uma gestação passe das 40 semanas (podendo chegar a 42 semanas!).

Desta vez, me preparei para esperar além da data provável de parto. Aliás, dei por certo que ele nasceria com umas 42 semanas mesmo. Ao final da gestação, então, eu estava tranqüila, sossegada e tocando a vida. Foi assim que, no dia anterior ao que completaria 40 semanas, à meia noite, enquanto eu estudava, a bolsa estourou!

Eu sabia que podia demorar um bocado para o bebê nascer. Liguei para a Dra. Lara e, verificado que o líquido estava claro, fui dormir. Às três da madrugada, acordo sentindo contrações leves, feliz da vida. De manhã, lavando roupas no tanque, as contrações se intensificaram e senti “dor” de verdade.

Segurei em casa e, conforme as dores aumentavam, começamos a nos preparar às 10h para ir à maternidade, chegando lá às 11h. A doula Sindriani, que acompanhou um parto antes de minha chegada, gentilmente me doulou: em meio ao ambiente frio do hospital e da rispidez das enfermeiras, um olhar gentil, uma palavra de apoio, massagens para aliviar a dor. Antes, eu não tinha a compreensão do papel da doula. Foi ali que percebi a sua importância: é apoio, é cuidado, é amparo. Pra nós, fez toda a diferença.

Tomás nasceu de parto natural, de uma vez só: escorregou para o lado de fora, chegou chegando com seus 2,800 kg, meio dia, exatamente na DPP: 01 de novembro, dia de todos os santos. Veio direto para o meu colo, olhei em seus olhos, não se separou de mim. Mamou tranqüilo, tranqüilo ficou. Mais tarde, foi para o colo do Sergio. Berço aquecido, banho e demais “protocolos”: recusamos todos. Para o Tomás, apenas o aconchego e o calor do colo de seus pais.

Coloquei o nascimento do Tomás nas mãos de Deus, que preparou o caminho – e que grande dádiva Ele nos deu! Após o parto eu estava radiante. Foi tudo maravilhoso! O Tomás veio ao mundo rodeado de amor e tranqüilidade.

Tê-lo comigo após nascer, sentir seu cheirinho e amamentar nos primeiros minutos: como valeu a pena!

Tomás deve agradecer, em parte, a seu irmão mais velho: foi a forma como Dante nasceu que nos moveu a nos preparar, da forma como nos preparamos, para o nascimento do segundo filho.

Sem o aprendizado da dor, não teríamos tido esse glorioso recomeço da maternidade.

PS: se você ainda não leu o relato de parto de meu primeiro filho, pode ler clicando aqui.

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